Clínica Shalon

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Notícias - TRICOLOGIA

 Tricologia, especialidade médica que trata de problemas capilares, é associada com a totalidade do organismo, pois a saúde do cabelo reflete a saúde geral do corpo. Existem três tipos de fios de cabelo, de acordo com a disposição de queratina e formato da fibra capilar: fios caucasoides, asiáticos e negroides. O penteado Dreadlock ou Rastafari é comumente utilizado por pessoas que possuem o tipo de cabelo denominado negroide. São fios de estrutura irregular e elíptica, que permitem a formação de múltiplas pontes químicas, que ligam uma molécula à outra, dando o formato encaracolado do fio. Deste modo, são cabelos armados e difíceis de domar.

1) Quais são os danos que o Dreadlock pode trazer à saúde capilar?

O DreadLock é uma opção para manter os fios alinhados por mais tempo. Infelizmente, é um dos principais causadores de uma das causas de queda de cabelo nas raças negras, a alopecia de tração. Devido ao trauma constante e contínuo do penteado, ocorre uma alteração na vascularização (irrigação sanguínea) ao nível de bulbo (raiz capilar), levando a uma progressiva diminuição de circulação sanguínea, oxigenação e nutrição capilar, e consequente atrofia e morte do fio. Uma das principais características desta patologia é a progressão posterior da linha de implantação capilar frontal, quando a pessoa passa a ter a região da testa cada vez mais livre de fios. Se não tratado precocemente, antes da morte do bulbo e das células germinativas do fio, o processo pode ser irreversível.

2) Ao permanecer com penteado por muito tempo, aparecem os fungos. O que isto pode trazer para o couro cabeludo?

O principal fungo colonizador do couro cabeludo é o Ptirosporum ovale. Trata-se de um fungo saprófita, que convive em simbiose com o organismo e se prolifera em um ambiente propício, rico em restos celulares e excesso de oleosidade do couro cabeludo. Esta proliferação pode desencadear ou intensificar a dermatite seborreica, comumente conhecida como caspa, um processo inflamatório intenso que provoca intensa descamação, sensação de coceira, irritação e vermelhidão no couro cabeludo. Outros tipos de fungos podem colonizar a fibra e o couro cabeludo, desencadeando as tinhas capitis, infecções capilares causadas por fungos dermatófitos patogênicos. Algumas bactérias também podem colonizar a região promovendo as foliculites, processos infecciosos bacterianos no couro cabeludo. Os dois processos, se não forem tratados precocemente, podem levar à destruição definitiva do folículo capilar e às alopecias cicatriciais.

3) Como são formados estes resíduos?

Os resíduos são formados por restos celulares, placas de oleosidade e colonizações fúngicas.

4) Algumas alternativas de lavar o cabelo com outros tipos de produtos como sabão de coco, para que os cabelos fiquem mais firmes, podem trazer algum problema grave?

O processo de lavagem do couro cabeludo e fios de cabelo tem por objetivo promover uma mudança química do pH fisiológico do couro cabeludo e fios. Normalmente, o pH do cabelo oscila entre 4,5 e 5,5. São utilizados xampús alcalinos (pH acima de 7) com objetivo de abrir as cutículas e promover remoção de impurezas, resíduos e excesso de oleosidade. Após a remoção, há necessidade de normalização do pH para as condições fisiológicas através do condicionador. O sabão de coco não possui pH compatível com o couro cabeludo, muito menos com o fio de cabelo. Ele promove a alcalinização excessiva do fio, impedindo sua restauração em relação às condições fisiológicas. Deste modo, a cutícula permanece aberta, expondo a fibra capilar às agressões. Além disso, o sabão em barra muitas vezes possui resíduos que se impregnam na fibra capilar, não sendo indicado para uso cosmético.


5) Existe algum produto que possa eliminar estes fungos e bactérias?

Na verdade, vários agentes antifúngicos são associados às formulações de xampus e loções, tais como Cetoconazol, Piritionato de Zinco, Ciclopirox Olamina, dentre outros. Estes produtos atuam como fungicidas. Há também a necessidade do controle do processo inflamatório do couro cabeludo, controle da oleosidade e diminuição dos resíduos celulares, a fim de criar um ambiente não propício à proliferação de novos fungos.

6) No inverno, o couro cabeludo normalmente fica mais ressecado, podendo aparecer as caspas. O uso do secador pode influenciar no ressecamento do couro cabeludo?

Na verdade, durante o inverno, o couro cabeludo responde às mudanças climáticas com excesso de produção de oleosidade e sebo, com objetivo de proteger a fibra capilar destas agressões térmicas. O uso de secadores em altas temperaturas agregado a exposições climáticas de frio intenso (choque térmico) pode desencadear a dermatite seborreica - caspa. O ideal é evitar mudanças bruscas de temperatura, utilizando-se de secadores em temperatura média, fazendo a proteção dos fios de cabelo com agentes termoativos e do couro cabeludo com roupas apropriadas.

 
 

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